quarta-feira, 2 de setembro de 2015


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segunda-feira, 29 de junho de 2015



A importância da padronização para o incremento de vendas e faturamento :

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2015/06/1648889-prioridade-nos-eua-e-fechar-acordo-de-padronizacao-diz-ministro-monteiro.shtml


Sem Gestão da Qualidade Total e Padronização as empresas ficam pouco competitivas e restringem seus mercados.



quinta-feira, 11 de junho de 2015

CCT aprova fundo de aval para financiar inovações de MPMEs


Para inovar, é preciso investir e arriscar. Mas nem todos tem o necessário para as duas coisas, em especial as micro, pequenas e médias empresas (MPMEs). Como forma de incentivar mais as iniciativas de menor porte, a Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) do Senado Federal aprovou nesta terça-feira (9) a criação do fundo de aval para investimentos em inovação de MPMEs.

Denominado InovaMPEs, o fundo será exclusivo para o financiamento de novos produtos, processos e serviços ou os aprimoramentos já existentes nas pequenas empresas. É esperado que ele seja uma forma de suprir as garantias exigidas pelas instituições financeiras em empréstimos concedidos as MPMEs.

Previsto pelo Projeto de Lei do Senado 336/2013, de autoria do ex-senador Vital do Rêgo, a iniciativa prevê como beneficiários micro, pequenas e médias empresas com receita operacional bruta anual de até R$ 90 milhões, empresários individuais e empreendedores individuais. O InovaMPEs poderá ser alimentado com recursos orçamentários da União, doações de entidades públicas e privadas, nacionais e internacionais; doações de pessoas físicas; e rendimentos de aplicações financeiras.

"O projeto preenche importante lacuna na política de apoio à inovação do País. Como bem diagnosticado pelo autor, a dificuldade de acesso aos programas de financiamento do governo federal por parte das micro, pequenas e médias empresas está entre os principais obstáculos para inovar", apontou o senador Eduardo Amorim (PSC-SE), ao ler o voto do relator do projeto na CCT, senador Zezé Perrela (PDT-MG).

Os donos de pequenos negócios contam atualmente com dois programas federais de estímulo à inovação: um do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e outro da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Mas como nenhum dos programas prevê aval, os financiamentos disponibilizados não chegam a muitas empresas com potencial inovador, na avaliação dos senadores.

O PLS 336/2013 seguirá para a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, onde será votado em decisão terminativa.

Fonte: Gestão CT&I, com informações da Agência Senado

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Umbanda e Santo Daime influenciam saúde mental e física

Estudo realizado no Instituto de Psicologia (IP) da USP apresentou a relação entre religiosidade e saúde ao analisar duas religiões brasileiras: Santo Daime, que faz uso sacramental da bebida psicoativa Ayahuasca, e a Umbanda, ambas com rituais fundamentados em práticas de estados diferenciados de consciência.

A psicanalista Suely Mizumoto, em sua dissertação de mestrado Dissociação, religiosidade e saúde: um estudo no Santo Daime e na Umbanda, fez suas observações a partir  das condições de saúde e de indicadores de bem estar psicológico e social dos membros envolvidos na pesquisa.
Constatações
Entre diversas constatações, adeptos do Santo Daime e da Umbanda apresentaram diferenças significativas quanto à redução da frequência de mudanças de humor e de sentimentos contraditórios, e quanto ao aumento de domínio sobre essas alterações.  As diferenças foram baseadas nas experiências anteriores e posteriores à participação nos rituais de cada religião. Quando comparados a um grupo controle, os adeptos mostraram ter maior equilíbrio de humor e emoção. Os praticantes do Santo Daime ainda revelaram ter maior domínio sobre quadros de base depressiva. Já na Umbanda, o aumento de domínio foi mais aparente em experiências de alteração de identidade.

A comunidade religiosa, provedora de apoio emocional, material e afetivo, pode também ser compreendida como uma comunidade terapêutica para as condições psicológicas estressantes. Os adeptos podem encontrar em suas comunidades suporte em momentos de fragilidade. É comum a quem desconhece a questão do transe mediúnico temer algum tipo de aumento na mediunidade ou descontrole. No entanto, Suely diz que, “na verdade, o aprendizado que essas religiões proporcionam podem ensinar seus adeptos a ter um domínio maior quanto ao enfrentamento espiritual dessas questões, diminuindo experiências mediúnicas traumatizantes”.
Ayahuasca
A dissertação de Suely ainda tratou da polêmica em torno da utilização do psicoativo Ayahuasca. Geralmente condenado, o uso do psicodélico mostrou associar a experiência de cura espiritual — desfrutada por participar aos rituais — a mudanças no estilo de vida dos usuários. A ruptura de velhos padrões com a adoção de outros novos e saudáveis causou reflexo no combate ao risco de dependências da nicotina, álcool, cannabis sativa e cocaína. O ritual com aAyahuasca aumentou, em altas porcentagens, a recuperação declarada quanto ao abuso e risco de dependência para usuários das substâncias citadas.

Na esfera da afetividade, a Ayahuasca serviu como uma espécie de antidepressivo, ou como a psicóloga conta, “aqueles que faziam parte dos rituais com o psicoativo diziam ter os períodos muito longos de tristeza cada vez menores e mais raros, como se a Ayahuasca fosse equivalente a um ‘banho de serotonina’”. Segundo Suely, “é possível que a busca por uma religião que faça uso da ayahuasca possa resultar em efeitos terapêuticos para aqueles vulneráveis a quadros bipolares ou à depressão”.
Método e alguns dos resultados
A dissertação contou com a orientação do professor Wellington Zangari e foi baseada em questionários e escalas aplicadas a um grupo de 106 pessoas; 42 dos voluntários eram adeptos do Santo Daime, 44 da Umbanda e houve também o grupo controle composto por 20 pessoas. O grupo controle serviu para comparar a influência da religiosidade nos participantes. Além disso, tanto no grupo de Santo Daime como no de Umbanda havia a presença de praticantes novatos e experientes.

A psicóloga empregou um questionário que abordava o perfil social, a religiosidade e a saúde, tanto física como mental, dos voluntários. Dados sociodemográficos evidenciaram poucas diferenças entre os grupos, principalmente entre gênero, idade, grau de instrução, faixa salarial e condição de moradia. “Os resultados obtidos dos perfis sociais, saúde e religiosidade e das escalas revelaram indicadores de bem estar que confirmam índices de saúde inteiramente satisfatórios e até melhores quando comparados aos resultados do grupo controle”, relata a pesquisadora.
Contribuições
Não há, até o momento, a precisão da verificação dos resultados apresentados e correlacionados nas comunidades estudadas. Com o tema de sua dissertação, Suely espera incentivar os estudos acerca do psicoativo Ayahuasca e os benefícios a ele associados, em especial, ao seu potencial terapêutico para o tratamento de dependências. Ela buscou amenizar os preconceitos com as religiões afro brasileiras. A Umbanda é um exemplo de religião que trabalha exclusivamente na arte do ensino da prática mediúnica, não faz uso de psicoativos, mas mesmo assim pode ser não bem interpretada. Não havendo nocividade nestas práticas, a relação entre religião e saúde, mais bem esclarecida por esta pesquisa, pode ajudar a desconstruir muito do senso comum que envolve a religiosidade no País.

Mais informações: envie um email para a pesquisadora Suely Mizumoto no endereço suely_mizumoto@yahoo.com.br

Fonte:  Mariana Grazini - Agência USP 

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Virtuosas e perigosas: as mulheres na Revolução Francesa



 “Os homens tomaram a Bastilha, as mulheres tomaram o Rei”: assim o historiador francês Jules Michelet (1798-1874) resumiu o alcance da primeira grande manifestação política feminina ocorrida na Revolução Francesa – que mudou a dinâmica do processo revolucionário, imprimindo-lhe a marca de uma crescente radicalização.

O ato ocorreu no dia 5 de outubro de 1789, quando, encabeçadas pelas vendedoras de peixe de Paris, cerca de 7 mil mulheres, armadas de facões de cozinha, lanças rústicas (piques), machados e dois canhões, marcharam a Versalhes, sede da Corte Real e da Assembleia Nacional, para protestar contra a escassez e o preço do pão, arrastando atrás de si soldados da Guarda Nacional e outros homens.

No dia seguinte, exasperadas com a crise de abastecimento e a atitude de Luís XVI, que vetava sistematicamente todos os decretos revolucionários da Assembleia, as manifestantes pressionaram o Rei a abandonar o Palácio de Versalhes e o escoltaram à capital.

“Foi uma iniciativa política sofisticada, porque, com a concentração do poder em Versalhes, o rei ficava longe da pressão popular e mais exposto às influências da rainha e da corte, e se utilizava do direito de veto, que ainda possuía no início da Revolução, para impedir que as reformas fossem realizadas. Ao trazerem Luís XVI para Paris, as mulheres mudaram o centro de gravidade do processo revolucionário e propiciaram à população da capital um novo protagonismo”, disse Tania Machado Morin, autora do livro Virtuosas e perigosas: as mulheres na Revolução Francesa, que será lançado no fim de janeiro.

Apresentado originalmente como dissertação de mestrado no Departamento de História da Universidade de São Paulo (USP), com orientação da professora Laura de Mello e Souza, o livro, agora publicado com apoio da FAPESP, divide-se em duas partes: a primeira discorre sobre as práticas políticas femininas ocorridas no curso da Revolução e suas repercussões na sociedade; a segunda parte analisa em detalhes um conjunto de imagens, representando mulheres, produzidas durante o período revolucionário.

Morin, que fez a maior parte de sua pesquisa iconográfica no Gabinete das Estampas do Museu Carnavalet e na Biblioteca Nacional da França, em Paris, demonstra, por meio dos fatos e das imagens, como o protagonismo feminino evoluiu ao longo do processo revolucionário e dividiu-se em tendências muitas vezes conflitantes, e como a visão masculina, sempre hegemônica, mudou correspondentemente.
“Enquanto as ativistas foram aliadas úteis dos líderes revolucionários, eles conviveram com os clubes femininos e toleraram suas manifestações, na Assembleia e nas ruas. Mas, no momento em que deixaram de ser apenas personagens excêntricas e barulhentas para se tornarem uma ameaça política, os governantes julgaram necessário reprimi-las com o rigor da lei e a força das armas”, disse Morin.

“Além da extinção dos clubes políticos femininos em outubro de 1793, em maio de 1795 as mulheres foram proibidas de frequentar a Assembleia e de se reunir em qualquer lugar, inclusive nas ruas, em grupos de mais de cinco, sob pena de detenção imediata”, continuou.

As “mães republicanas” e as “fúrias do inferno”
Constituiu-se, assim, no imaginário da época, a dicotomia “virtuosas versus perigosas”. Como Morin explica em seu livro, “virtuosas” eram as mulheres idealizadas pelos líderes da Revolução: as “mães republicanas” que, por meio do parto, do aleitamento e da educação dos filhos, preparavam a futura geração de patriotas. “Perigosas” eram “as militantes, às vezes armadas, que denunciavam a incompetência e a corrupção dos governantes e exigiam a punição dos ‘traidores do povo’”.

As imagens traduziram de forma estereotipada esses conceitos. Às figuras das “virtuosas”, inspiradas nas nobres matronas da estatuária romana ou nas madonas da pintura renascentista cristã, oferecendo aos filhos o leite da moralidade, contrapuseram, de forma muito explícita, as figuras das “perigosas”, “verdadeiras ‘fúrias do inferno’, que tricotavam ao pé da guilhotina, deleitando-se com o espetáculo da morte”.
É sintomático que essa visão negativa acerca das mulheres militantes tenha sido endossada, em momentos diversos, por diferentes facções em luta no processo revolucionário. Não apenas pela contrapropaganda monarquista, como seria de esperar, mas também pelos girondinos (representantes principalmente da alta burguesia moderada), jacobinos (representantes principalmente da pequena burguesia radical) e outros agrupamentos políticos. Apenas as facções revolucionárias mais radicais, como a dos chamados enragés (“enraivecidos”), sustentaram até o final a militância feminina.

No entanto, as militantes, cuja principal organização política foi a Sociedade das Cidadãs Republicanas Revolucionárias, não tinham uma agenda propriamente feminista.

“Elas tinham, sim, uma agenda ‘terrorista’. Isto é, apoiavam o ‘terror revolucionário’ como forma de governo: queriam a destituição dos aristocratas de todos os cargos públicos e das chefias do exército; a adoção do ‘máximo’, ou seja, do tabelamento dos preços dos gêneros de primeira necessidade; a estrita vigilância em relação aos contrarrevolucionários e açambarcadores de mercadorias, com a prisão, julgamento e eventual execução dos traidores; e outras medidas radicais”, afirmou Morin.

Sua posição não se diferenciava daquela dos sans-culottes (“sem culotes”), a numerosa massa popular urbana, especialmente ativa em Paris, formada por trabalhadores assalariados, artesãos e pequenos comerciantes, assim chamada porque os homens desse amplo segmento social não usavam culotes (calções de seda abotoados abaixo dos joelhos sobre meias compridas), como os aristocratas e a burguesia endinheirada, mas calças rústicas que desciam até os pés.

Pauline Léon e Claire Lacombe, as fundadoras da Sociedade das Cidadãs Republicanas Revolucionárias, eram mulheres educadas, que escreviam bem e discursavam com eloquência. Pauline, nascida em Paris, trabalhou originalmente como fabricante e comerciante de chocolates, ofício que herdou dos pais. Claire, nascida em Pamiers de pais comerciantes, atuou como artista de teatro em Marselha, Lyon e Toulon, antes de mudar para Paris e dedicar-se inteiramente à Revolução.

As demais militantes eram, em geral, comerciantes de rua ou artesãs, muitas delas iletradas. As fontes citadas por Tania Morin divergem quanto ao número exato de frequentadoras da Sociedade, mas ele pode ser estimado em torno de cem. No entanto as líderes diziam ter o apoio de milhares.

“Durante a revolução, houve várias crises de falta de alimentos. E as mulheres – responsáveis pela alimentação da família, que enfrentavam, entre outras, a fila do pão – foram às ruas reivindicar o controle governamental do abastecimento e dos preços. E a punição dos açambarcadores dos gêneros de primeira necessidade. Muitas foram empurradas para a militância por essa razão”, disse Morin.

Contra a ‘tirania’ dos homens
Bem diferente foi o caso de Olympe de Gouges, que pode ser considerada uma feminista avant la lettre. Filha nominal de um açougueiro de Languedoc, mas, segundo dizia, descendente ilegítima de um marquês, Olympe era politicamente próxima dos girondinos.

Idealista e generosa, insurgia-se contra as injustiças e defendia os oprimidos, mas se horrorizou com os massacres perpetrados, em nome da Revolução, nas prisões de Paris, em setembro de 1792.
Nessa ocasião, aterrorizadas com o avanço de tropas estrangeiras rumo à capital francesa e com os boatos de que os aristocratas presos planejavam um revide, massas enfurecidas invadiram os presídios e trucidaram os prisioneiros, muitos deles delinquentes comuns, sem qualquer conexão com o complô aristocrático. “O sangue dos inocentes, especialmente quando derramado com crueldade e abundância, mancha indelevelmente as revoluções”, disse Olympe, segundo citação no livro de Morin.

Autodidata, Olympe notabilizou-se como dramaturga e panfletária. “Ela denunciou a ‘tirania que o homens exercem sobre as mulheres’ e defendeu uma reforma do casamento, que deveria durar apenas enquanto subsistissem as inclinações mútuas”, destacou Morin.

“Ao mesmo tempo, condenou a escravidão nas colônias, reclamou oficinas de trabalho para operários desempregados, asilos para os órfãos e ajuda social para os miseráveis. E propôs o casamento do padres, em nome dos bons costumes”, disse Morin.

“Depois que a Assembleia Nacional promulgou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, em agosto de 1789, não contemplando nela nenhuma das reivindicações especificamente femininas, Olympe publicou, no mês seguinte, sua Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã, reivindicando a igualdade cívica entre os sexos”, disse.

Em outra faixa do espectro social e político, a Sociedade das Cidadãs Republicanas Revolucionárias foi fundada em maio de 1793, no auge da radicalização do processo revolucionário, após a invasão do território francês por tropas austríacas e prussianas; a proclamação da República e a execução do rei, acusado de traição depois de serem descobertos documentos que explicitavam suas negociações secretas com as potências inimigas; e o levante camponês instigado pela clero contrarrevolucionário e pelos aristocratas que buscavam retomar o poder.

A sobrevivência da Revolução estava por um triz. E Robespierre, Saint-Just, Marat, Danton, Desmoulins e outros representantes políticos da pequena burguesia radical, reunidos no agrupamento heterogêneo dos montagnards (“montanheses”), assim chamados por se sentarem nas arquibancadas mais altas da Convenção Nacional, buscavam uma aliança com as massas populares como forma de salvá-la.
Nesse momento crítico, as militantes da Sociedade das Cidadãs Republicanas Revolucionárias desempenharam importante papel na luta dos montanheses contra os girondinos, cujos deputados, até então hegemônicos na Convenção, favoreciam os interesses burgueses em detrimento dos sans-culottes.

“De fato, as Republicanas concorreram para preparar a insurreição contra os girondinos, fazendo propaganda, discursando, promovendo agitações na Convenção, nos clubes políticos, nas seções”, escreveu Morin.

No dia 2 de junho de 1793, pressionada por uma insurreição popular em Paris, a Convenção ordenou a prisão de 29 deputados girondinos. Derrotados, os girondinos utilizaram a retórica mais furiosa para denegrir as militantes. Elas foram chamadas de “bacantes de Marat” e “megeras” e acusadas de quererem “fazer rolar as cabeças e se embebedar de sangue”.

Já em setembro-outubro do mesmo ano, porém, acompanhando a radicalização dos enragés, que acusavam a Convenção de imobilismo e defendiam a democracia direta, com a autonomia das assembleias populares das “seções” (correspondentes grosso modo aos bairros parisienses da época) em relação às autoridades constituídas, as militantes passaram a ser criticadas também pelos montanheses, que, apesar de acatarem várias reivindicações dos sans-culottes, como o tabelamento dos preços e a execução dos contrarrevolucionários, procuravam preservar a estrutura representativa.

Peixeiras versus militantes politizadas
Um grave conflito entre as vendedoras de peixes e as militantes – que mobilizou um grande grupo de mulheres e acabou em agressões físicas – foi a gota d’água que possibilitou ao Comitê de Segurança Geral extinguir, não apenas a Sociedade das Cidadãs Republicanas Revolucionárias, mas todos os outros clubes femininos do país.

Em seu livro, Tania Morin analisa detalhadamente o relatório apresentado por Jean-Baptiste André Amar, então relator do Comitê de Segurança Geral, para justificar a proibição das agremiações femininas – motivada por contradições políticas imediatas, mas que também trazia à tona concepções ideológicas de fundo. Tal relatório é o único documento oficial da época revolucionária que enuncia os princípios da exclusão feminina da vida política nacional.

Pauline Léon foi detida com o marido, o enragé Théophile Leclerc, em abril de 1794, sendo libertada pouco tempo depois. Já Claire Lacombe permaneceu encarcerada um ano e meio. “Na opinião de suas amigas, a prisão quebrou seu espírito. Apesar da insistência das antigas companheiras, ela abandonou definitivamente a política e deixou Paris, voltando à vida de atriz e à obscuridade”, escreveu Morin. Crítica veemente do regime de terror liderado por Robespierre, Olympe de Gouges foi guilhotinada em 3 de novembro de 1793.

“Depois da dissolução dos clubes femininos, as mulheres continuaram participando ativamente da política por meio dos clubes mistos”, falou a pesquisadora.

“Isso se prolongou até 1795, quando, após a deposição e a execução de Robespierre e a retomada do poder pela alta burguesia conservadora, houve duas revoltas muito importantes em Paris, as revoltas de Germinal e Prairial. Foram os últimos levantes populares na Revolução Francesa. Neles, as mulheres desempenharam um papel decisivo, incitando os homens a invadir a sala da Convenção, onde se reunia o governo, para reivindicar a aplicação da Constituição revolucionária de 1793 e reclamar da falta de pão, pois estavam todos morrendo de fome. Por essa atuação como incitadoras, as mulheres ficaram apelidadas como as ‘bota-fogos’”.

Os levantes foram ferozmente reprimidos, com numerosas prisões e execuções. A fase do movimento popular urbano da Revolução chegava ao ocaso. A última tentativa de levar o processo revolucionário adiante, a “Conjuração dos Iguais”, liderada por Gracchus Babeuf, foi desmantelada em maio de 1796, com a prisão dos líderes. Babeuf foi guilhotinado um anos depois.

“As mulheres foram silenciadas e confinadas ao lar. As francesas só acederam aos direitos cívicos após a Segunda Guerra Mundial. Por isso, algumas historiadoras acham que nada restou da participação feminina revolucionária. E que entre as precursoras do feminismo e as feministas modernas não há nenhum elo”, afirmou Morin.

A historiadora, no entanto, discorda dessa posição. “A Sociedade das Cidadãs Republicanas Revolucionárias foi o protótipo dos clubes políticos de mulheres que surgiram na revolução de 1848. Aqueles seis primeiros anos da Revolução ficaram na história das lutas pela cidadania e serviram de inspiração para as gerações futuras”, afirmou.
  • Virtuosas e perigosas: as mulheres na Revolução Francesa
    Autora: Tania Machado Morin 
    Lançamento: janeiro de 2014 
    Editora: Alameda 
    Preço: a ser definido 
    Páginas: 370
    Mais informações: www.alamedaeditorial.com.br
Fonte: José Tadeu Arantes / Agência FAPESP 

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

A embriaguez na conquista da América


Mais do que mera diversão ou escapismo, o consumo de álcool, tabaco e alucinógenos entre os incas e os astecas tinha caráter ritualístico, religioso e até curativo. Já para os colonizadores europeus – embora também acreditassem no poder medicinal de certas substâncias psicoativas – a prática representava a adoração ao demônio e, portanto, deveria ser combatida.

Essa ambiguidade do discurso espanhol sobre o consumo de drogas entre os índios, no período da colonização, é tema do livro A embriaguez na conquista da América. Medicina, idolatria e vício no México e Peru, séculos XVI e XVII, lançado recentemente pela editora Alameda.

Publicada com apoio da FAPESP, a obra é fruto do trabalho de mestrado de Alexandre Camera Varella, realizado na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP) sob a orientação do professor Henrique Soares Carneiro.

Com base em uma compilação de fontes da época, que inclui obras de religiosos, tratados médicos e de história natural, além de um cronista indígena cristão, Varella analisa as representações hispano-americanas sobre o consumo das bebidas fermentadas nativas, como é o caso da chicha (feita de milho), no Peru, e do pulque (feito de agave), no México.

Também são incorporados o tabaco – uma versão mais rústica e forte, usada pelos índios para induzir um estado de transe – e as bebidas derivadas do cacau e denominadas chocolate, muitas vezes preparadas com flores aromáticas ou plantas alucinógenas.

“Qualquer substância capaz de alterar o estado de consciência ou, como diziam na época, ‘tirar do juízo’, era considerada causadora de embriaguez. E a embriaguez indígena estava sempre relacionada aos rituais, seja de adivinhação ou de celebração dos deuses. Para os espanhóis isso representava idolatria. Houve, portanto, bastante resistência aos costumes indígenas, principalmente por parte dos clérigos”, contou Varella.

Curiosamente, acrescentou o historiador, tanto colonizados como colonizadores acreditavam no poder medicinal do tabaco. O espanhóis chamavam a planta de erva santa. Os indígenas a consideravam uma entidade divina.

"Os colonizadores diziam que o tabaco ajudava a eliminar substâncias ruins, quando soltava o catarro, e que aliviava a digestão e as dores de cabeça. Também as bebidas alcoólicas e o chocolate eram vistos como medicinais. Existiam várias receitas. Podiam colocar uma determinada flor de qualidade ‘quente’ para combater calafrios, ou algo considerado ‘frio’ para baixar a febre”, disse o historiador – que atualmente é professor da Universidade Federal de Integração Latino-Americana, em Foz do Iguaçu.
Durante os rituais de celebração dos deuses, contou Varella, os indígenas tinham o costume de beber até perder a consciência. Em certas ocasiões, quatro dias consecutivos de festas eram realizados e o consumo de álcool era permitido até mesmo por jovens e crianças.

“Nesses momentos, era tolerada uma certa algazarra, ocorriam brigas e havia maior liberdade sexual. A ideia do vício trazida pelos religiosos, portanto, não apenas estava relacionada à idolatria como também à luxúria e à violência que poderia haver nesses momentos de bebedeira. Não se pensava na questão da dependência física ou psicológica da bebida”, contou Varella.

Fora do contexto ritualístico, porém, as sociedades indígenas eram extremamente conservadoras, disse o historiador. Não era permitido beber dentro de casa ou na rua. Na época de Moctezuma, imperador asteca do início do século 16, um nobre indígena flagrado bêbado poderia ser punido com a morte.
“Até mesmo o uso da folha de coca era bem restrito entre os andinos na era pré-hispânica. Mas, com a chegada dos espanhóis e a desestruturação dos governos indígenas, houve uma popularização do uso – tanto da bebida, quanto da coca e de outras plantas como o peiote [cacto com propriedades alucinógenas]. Isso criou uma preocupação grande entre os colonizadores e clérigos, que queriam preservar a mão de obra indígena, relacionando a mortandade não às doenças trazidas por eles, mas sim à demasiada embriaguez”, afirmou Varella.

Nesse contexto, diversas leis foram criadas – tanto em âmbito eclesiástico quanto civil – para tentar reprimir o consumo de álcool e de outras drogas entre os índios. Principalmente por razões morais, também legislavam para evitar o mau costume entre os mestiços, os negros e os espanhóis pobres que habitavam o Novo Mundo.

“As práticas sociais, porém, foram muito mais amplas do que as tentativas de repressão, que muitas vezes ficaram apenas no nível do discurso e das leis. Podemos dizer que foi a embriaguez que conquistou a América”, disse Varella.

 Fonte :  Karina Toledo /Agência  FAPESP

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Unicamp , Unesp e Embrapa desenvolvem métodos para detectar resíduos de fármacos veterinários em peixes

 
Desenvolver métodos para detectar resíduos de fármacos veterinários em peixes que possam ser úteis para programas de vigilância sanitária é o objetivo de um grupo de pesquisadores coordenado por Felix Guillermo Reyes Reyes, professor da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Campinas (FEA/Unicamp).

O projeto, que também envolve pesquisadores do Instituto de Química da Unicamp, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Embrapa, foi um dos aprovados na chamada de propostas lançada em abril de 2013 pela FAPESP e pela Agilent Technologies.


“Vamos estudar como os fármacos veterinários são absorvidos e metabolizados pelas três espécies de peixes de maior valor comercial no Brasil: tilápia, tambaqui e pacu. Realizaremos estudos de depleção de resíduos, particularmente em filé de peixes, que é a parte consumida, a fim de saber quanto tempo leva para que a substância administrada esteja abaixo do limite máximo permitido e não ofereça risco à saúde humana. Assim, poderemos estabelecer o período de carência entre a última aplicação do medicamento e o momento em que o peixe é abatido para consumo”, explicou Reyes.

Serão desenvolvidos métodos analíticos tanto para a determinação de moléculas específicas como métodos multirresíduos. Do ponto de vista da vigilância sanitária, um dos objetivos é avaliar o uso de substâncias não aprovadas para a piscicultura.

“Há atualmente apenas dois antimicrobianos registrados no país para uso na piscicultura – provavelmente por falta de interesse das empresas de medicamentos veterinários em licenciar seus produtos para uso no setor. Existe, por outro lado, uma forte suspeita de que os criadores estejam utilizando produtos registrados para outras espécies animais, pois os peixes criados nessas condições estão sob forte estresse e, portanto, muito suscetíveis a infecções. Mas esse uso ilegal é feito sem qualquer estudo para verificar a dose adequada e sem avaliação de risco”, disse Reyes.

Além da ameaça à saúde dos consumidores, alertou Reyes, o uso não controlado de fármacos veterinários na piscicultura pode trazer prejuízos ambientais e contribuir para o desenvolvimento de resistência bacteriana aos antimicrobianos hoje existentes.

“Algumas dessas substâncias foram estudadas em outros países para uso na piscicultura, mas os resultados não são necessariamente válidos para o Brasil, pois as condições ambientais são diferentes e as espécies estudadas também. Tudo isso influencia a forma como o fármaco é metabolizada e, consequentemente, o período de carência”, disse Reyes.

O professor da Unicamp apresentou detalhes do projeto em um simpósio organizado pela FAPESP e pela Agilent no dia 30 de outubro. Na ocasião, Reyes afirmou que o Brasil, com 12% da água doce disponível do planeta, reúne condições para se tornar o maior exportador de peixes e derivados do mundo.

“Para o governo federal, a aquicultura é uma atividade importante do agronegócio. A FAO [Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura] considera o Brasil como o principal país para produzir peixes que ajudarão a alimentar a população mundial nos próximos 20 anos. Mas precisamos tomar cuidado para não poluirmos o ambiente nessa empreitada. A pesquisa científica é fundamental para garantir a qualidade da produção e a integridade do meio ambiente”, disse.

Doença de Gaucher
Outro projeto aprovado na chamada de propostas FAPESP-Agilent foi apresentado pela professora Aparecida Maria Fontes, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP/USP). O objetivo é desenvolver um novo medicamento para o tratamento da doença de Gaucher.
Classificada como um erro inato do metabolismo, essa doença genética se caracteriza pela deficiência na produção da enzima beta-glicosidase, também conhecida como glicocerebrosidase. Essa enzima está envolvida no metabolismo de lipídios no interior das células, mais especificamente do glicocerebrosídeo.

Nos portadores da doença de Gaucher, a quantidade da enzima é insuficiente para decompor o glicocerebrosídeo na velocidade ideal e esse lipídio acaba se acumulando nos lisossomos das células, afetando principalmente o fígado, o baço e a medula óssea, mas podendo também acometer outros órgãos, como o sistema nervoso central (no caso dos subtipos II e III da doença). Além de aumento no volume abdominal resultante do inchaço do baço e do fígado, os sintomas incluem anemia, trombocitopenia (redução do número de plaquetas no sangue) e dor nos ossos.

“Existem, atualmente, quatro proteínas comerciais para fazer a terapia de reposição enzimática para os portadores da doença de Gaucher. Nosso objetivo é, por meio de ferramentas da biologia sintética, desenvolver uma plataforma otimizada para produzir a enzima beta-glicosidase. O projeto conta com algumas inovações que vão aumentar a produtividade e tornar o produto mais barato”, contou Fontes.
Os biofármacos usados na terapia de reposição enzimática para doenças de disfunção lisossomal, explicou a pesquisadora, são produzidas em diferentes tipos de linhagens celulares e requerem diversas modificações para a entrega nos tecidos alvos acometidos pela doença.

O grupo coordenado por Fontes – que inclui pesquisadores da Genética Médica do Departamento de Genética e do Departamento de Cirurgia e Anatomia da FMRP/USP e também do Departamento de Anatomia dos Animais Domésticos e Silvestres da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP – pretende desenvolver, com ajuda de vetores virais, uma linhagem de células humanas capazes de produzir níveis muito mais altos da enzima.

“Vamos usar um vírus incapaz de se replicar no meio celular, mas que contém elementos que vão se recombinar e se integrar ao genoma da célula hospedeira. Como consequência, a célula passa a ter expressão permanente do gene de interesse. Mas, em vez de utilizar a tecnologia do DNA recombinante, vamos usar técnicas da biologia sintética para desenvolver o genoma do nosso veículo de expressão, que é o vírus”, disse Fontes.

Segundo a pesquisadora, a plataforma desenvolvida para a produção da enzima poderá depois ser adaptada para obter biofármacos úteis no tratamento de outras doenças genéticas que afetam o metabolismo – algumas atualmente sem opções terapêuticas, como a doença de Nieman-Pick, a mucopolissacaridose tipo IVA, α-manosidose, entre outras.

Mapa metabólico
O seminário promovido pela FAPESP e pela Agilent contou ainda com a participação do pesquisador Paulo Mazzafera, do Instituto de Biologia da Unicamp, que coordena um projeto aprovado na primeira chamada de propostas, lançada em 2011.

O objetivo de Mazzafera e de seus colaboradores no projeto é descobrir como a variação de temperatura e da concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera influenciam a síntese de lignina (substância estratural da planta) em duas espécies de eucalipto: a Eucalyptus globulus, que é nativa de regiões frias e oferece um maior rendimento na produção de celulose, e a Eucalyptus grandis, espécie comum no Brasil, que possui um tipo de lignina mais difícil de ser removida para a obtenção da celulose.

“A ideia é entender como funciona o metabolismo dessas espécies e, com base nessas informações, pensar em trabalhar com determinados genes para alterar a via de lignina na planta”, disse Mazzafera.
No primeiro ano do projeto, os pesquisadores mediram diversos parâmetros fisiológicos das duas espécies – como crescimento, fotossíntese e produção de açúcares – em faixas variando de 5ºC a 35ºC.

Foram então definidas três faixas de temperatura para o experimento principal: 10ºC, 25ºC e 35ºC. Para cada faixa de temperatura, foram simuladas duas concentrações de CO2: 380 partícula por milhão (ppm), que é a concentração média da atmosfera terrestre, e 700 ppm (prevista pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas – IPCC – para os próximos anos).

“As plantas foram crescidas por aproximadamente 30 dias nessas condições. Coletamos material e agora vamos começar a análise metabolômica, ou seja, avaliar os vários metabólitos que a planta produz. Vamos também fazer a análise transcriptômica, que consiste em um banco de RNAs mensageiros que permite ver o que está mais ou menos expresso em cada situação. No nosso caso, o foco é a síntese de lignina, mas certamente o banco será suficientemente rico para se estudar outras várias respostas metabólicas às condições em que as plantas cresceram”, contou.

Para fazer as análises, contou Mazzafera, a Agilent disponibilizou um software conhecido como GeneSpring, capaz de integrar os dados de metabolômica e de transcriptômica e gerar um mapa metabólico da planta.

Parceria em pesquisa
Na abertura do simpósio, o diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da FAPESP, José Arana Varela, destacou a importância de reunir pesquisadores que tiveram projetos aprovados nas duas chamadas de propostas para promover a troca de experiências.

“Este programa começou em 2011 e tem sido muito bem-sucedido. Esta é uma oportunidade de fazer uma avaliação e ver se há pontos a serem melhorados”, disse Varela.

Jack Wonstrand, diretor de relações com universidades da Agilent, ressaltou que a empresa tem um forte compromisso acadêmico no Brasil. “Nenhum lugar no país é mais importante para nós que o Estado de São Paulo. Estamos concentrados em construir nossas relações acadêmicas aqui e a experiência de trabalhar com a FAPESP tem sido excelente. Nada acontece sem uma administração eficiente. Queremos que os pesquisadores participantes realmente façam progressos diligentes e tenham um entendimento claro do que queremos alcançar. Para isso, essas reuniões são fundamentais”, afirmou.



O total de recursos disponível para atender as propostas selecionadas na segunda chamada de propostas é equivalente a US$ 800 mil, igualmente compartilhados entre FAPESP e Agilent. As propostas foram apresentadas de acordo com as normas do Programa Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE) da FAPESP. 
  

 FONTE: Karina Toledo / AGÊNCIA FAPESP

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Recaída ao uso de drogas é alvo de pesquisa de neurocientistas

Em busca de tratamentos mais eficazes contra a dependência, cientistas do National Institute on Drug Abuse (Nida/NIH), dos Estados Unidos, têm se dedicado a criar métodos para identificar e estudar pequenos grupos de neurônios relacionados com a sensação de fissura por drogas.

O grupo coordenado por Bruce Hope conta com o brasileiro Fábio Cardoso Cruz, ex-bolsista de mestrado e de pós-doutorado da FAPESP que acaba de publicar um artigo sobre o tema na revista Nature Reviews Neuroscience.

“Nossa linha de pesquisa se baseia no pressuposto de que a dependência é um comportamento de aprendizado associativo. Quando um indivíduo começa a usar uma determinada substância, seu encéfalo associa o efeito da droga com o local em que ela está sendo consumida, as pessoas em volta e a parafernália envolvida, como seringas, por exemplo. Com o uso repetido, essa associação fica cada vez mais forte, até que a simples exposição ao ambiente, às pessoas ou aos objetos já desperta no dependente a fissura pela droga”, afirmou Cruz.

Evidências da literatura científica sugerem que essa memória associativa relacionada ao uso da droga com os elementos ambientais seria armazenada em pequenos grupos de neurônios localizados em diferentes regiões do encéfalo e interligados entre si – conhecidos em inglês como neuronal ensembles.
“Quando o dependente depara com algo que o faz lembrar da droga, esses pequenos grupos neuronais são ativados simultaneamente e, dessa forma, a memória do efeito da droga no organismo vem à tona, fazendo com que o indivíduo sinta um desejo compulsivo pela droga que é capaz de controlar o comportamento e fazer com que o dependente em abstinência tenha uma recaída mesmo estando ciente de possíveis consequências negativas, como perda do emprego, da família ou problemas de saúde”, disse Cruz.
Por meio de experimentos feitos com animais, os pesquisadores do Nida mostraram que apenas 4% dos neurônios do sistema mesocorticolímbico são ativados nesses casos de recaída induzida pelo ambiente. “São vários pequenos grupos localizados em regiões do cérebro relacionadas com as sensações de prazer, como córtex pré-frontal, núcleo accumbens, hipocampo, amígdala e tálamo”, contou.

Segundo Cruz, a maioria dos trabalhos que buscam entender a neurobiologia da dependência e descobrir possíveis alterações moleculares relacionadas com comportamentos que levam à recaídaavalia todo o conjunto de neurônios presente em amostras de tecidos cerebrais em vez de focar apenas nesses pequenos grupos.

“Acreditamos que uma alteração realmente significativa pode ser mascarada por mudanças nesses outros 96% dos neurônios não relacionados com a recaída. Por isso buscamos metodologias para estudar especificamente esses 4%”, explicou.

Uma das estratégias descritas no artigo publicado na Nature Reviews Neuroscience faz uso de uma linhagem de ratos transgênicos conhecida como lacZ. Os animais são modificados para expressar a enzima β-galactosidase apenas nos neurônios ativos.

“Nós colocamos o animal em uma caixa e o ensinamos a bater em uma barra para receber cocaína. Depois de um tempo, movemos o animal para uma caixa diferente, na qual ele não recebe a droga quando bate na barra. Chega uma hora em que o animal para de bater na barra. É como se estivesse em abstinência. Mas quando o colocamos de volta na primeira caixa, ou seja, no ambiente que ele foi treinado a receber a droga, ele imediatamente volta a bater na barra à procura da droga”, contou Cruz.
Nesse momento, os pequenos grupos neuronais são ativados no rato pelos elementos do ambiente. Os pesquisadores administram então uma substância chamada Daun02, que interage com a enzima β-galactosidase e se transforma em um fármaco ativo chamado daunorubicina, que provoca a morte desses neurônios ativos.

“Esperamos cerca de dois dias para o fármaco concluir seu efeito e, quando colocamos novamente o animal no ambiente associado à administração da droga, ele não apresenta mais o mesmo comportamento de busca da substância. É como se a fissura tivesse sido apagada após a morte desse pequeno grupo de neurônios relacionado com esse comportamento de recaída”, contou Cruz.

Outra técnica descrita no artigo também faz uso de animais transgênicos capazes de expressar uma proteína fluorescente apenas nas células ativadas. “Com auxílio da citometria de fluxo, conseguimos isolar apenas essas células que ficam fluorescentes e então procuramos por possíveis alterações moleculares. Podem ser alterações estruturais, como aumento no número de espinhos dendríticos, o que aumenta a interação sináptica e deixa o neurônio mais sensível. Podem ser proteínas intracelulares que também aumentam a atividade desses neurônios”, explicou.

Uma vez identificadas essas alterações, acrescentou Cruz, elas vão se tornar alvos para o desenvolvimento de fármacos capazes de tratar de forma mais eficiente a dependência. “Não existe hoje um medicamento realmente eficaz, tanto que cerca de 70% dos usuários de cocaína sofrem recaída após um período de abstinência. No caso do álcool, o número é maior que 80%”, afirmou.


O grupo do Nida conta ainda com outros pesquisadores brasileiros, entre eles Rodrigo Molini Leão, que acabou de concluir o doutorado com Bolsa da FAPESP na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual Paulista (FCFAr-Unesp) em Araraquara. Também participa o doutorando Paulo Eduardo Carneiro de Oliveira, da FCFAr-Unesp. 

Fonte:  Karina Toledo / Agência FAPESP 
  

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

São Paulo tem 5 das 10 líderes em produção científica

RUF 2013 confirma: apesar dos esforços do governo federal para disseminar a produção científica por outras regiões do país, a maior parte da pesquisa nacional de qualidade continua concentrada no Estado de São Paulo.
Das dez primeiras colocadas nesse indicador, cinco são paulistas --todas as universidades estaduais (USP, Unicamp e Unesp) e duas federais em São Paulo (Unifesp e UFSCar).
Editoria de Arte/Folhapress
Pesquisadores de outros Estados não vacilam ao apontar o fator que anaboliza esse desempenho: a estabilidade na política de financiamento. Desde a década de 1960, São Paulo tem sua agência de fomento específica, a Fundação de Amparo à Pesquisa........

Leia mais em 




segunda-feira, 22 de julho de 2013

XXII Congresso Brasileiro da ABEAD

Prepare-se para participar do XXII Congresso Brasileiro da ABEAD de 4 a 7 de setembro de 2013, na charmosa cidade de Búzios, no Rio de Janeiro.

O evento acontecerá no Hotel Atlântico Buzios Convention & Resort que possui ótimas instalações para acomodar nosso congresso e ao mesmo tempo é localizado no coração de Búzios.

Estamos organizando o congresso de forma a termos uma grade científica relevante e ao mesmo tempo procurando conjugar momentos de lazer com os amigos e família.

Confira os preços especiais no hotel sede do evento e prepare-se para um congresso inesquecível.

Fonte: ABEAD

Financiamento é a principal dificuldade para empresas inovarem, mostra estudo

Pesquisa com 246 executivos de todo mundo indicou também barreira "cultural" para inovação


A inovação está conquistando mais espaço dentro das empresas multinacionais, mas a escassez de recursos ainda é o principal obstáculo a ser superado. A conclusão faz parte de um estudo da consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC), divulgado neste mês e realizado com 246 presidentes de companhias de diversos segmentos, tamanhos e regiões do mundo. Questionados sobre qual a principal restrição enfrentada para inovar, 43% dos executivos responderam que eram os "recursos financeiros", enquanto 41% apontaram a "cultura de organização existente".
Para 30% dos respondentes o principal problema era a "falta de talento"
Para 30% dos respondentes o principal problema era a "falta de talento", enquanto 21% indicaram "fatores políticos e regulatórios". Do total, 18% optaram pela resposta "tecnologia inadequada", 14% disseram que "nada os estava barrando de serem inovadores" e 9% declararam que o problema era "fraca liderança ou governança".
Equilíbrio entre tipos de inovação
O relatório "Unleashing the power of innovation" conclui que, apesar de os recursos financeiros serem apontados como a principal barreira, o tema "financiamento" não foi arrolado entre os principais ingredientes para a inovação. Segundo o levantamento, apenas 1% dos entrevistados indicaram como primeira opção "capacidade de assegurar níveis adequados de financiamento" como o ponto mais importante entre os elementos que permitem promover a inovação. Entre as três principais respostas para essa questão, apenas 9% indicaram "financiamento".
"Isso sugere que dinheiro não pode comprar sucesso por si só, mas ele precisa ser administrado de uma maneira inteligente. Isso ocorre especialmente no momento em que o foco está mudando de inovações incrementais para radicais", destaca o documento. Para a PwC, o equilíbrio adequado entre investimentos em inovações radicais, de alto risco e alto retorno, e incrementais, de baixo risco e baixo retorno, depende das metas de crescimento da empresa.
"Apesar de o equilíbrio real variar, é possível calibrar a abordagem correta para sua empresa e acompanhar o progresso por meio de métricas como o índice de vitalidade [percentual da receita proveniente de produtos ou serviços novos em relação à receita total da empresa]", afirma o estudo.


Fonte: Guilherme Gorgulho / Inovação Unicamp

sexta-feira, 10 de maio de 2013

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Tecnologia brasileira amplia prazo de validade de alimentos

Nanox
A Nanox obteve o registro da Food and Drug Administration (FDA), agência regulamentadora de alimentos e fármacos dos Estados Unidos, para comercializar materiais bactericidas para aplicação em embalagens plásticas de alimentos. A empresa foi criada a partir de um grupo de pesquisa do Centro Multidisciplinar para o Desenvolvimento de Materiais Cerâmicos (CMDC) – um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP.




A empresa também foi contemplada, pela segunda vez, pelo programa Global Entrepreneurship Lab (G-LAB), da Escola de Administração do Massachusetts Institute of Technology (MIT Sloan). Desde setembro recebe consultoria de estudantes da instituição no desenvolvimento de um plano de negócios para preparar sua entrada no concorrido mercado norte-americano. Em janeiro, uma equipe de estudantes do programa visitou a sede da empresa, em São Carlos, no interior de São Paulo, para concluir o trabalho.
Com o plano de negócios em mãos, a Nanox pretende abrir uma subsidiária nos Estados Unidos e atrair investidores para auxiliá-la a montar a operação.
“Nós já conversamos com representantes de alguns fundos de investimento no Vale do Silício para ajudar a desenvolver toda a parte estrutural da subsidiária que pretendemos abrir nos Estados Unidos”, disse Luiz Gustavo Pagotto Simões, diretor da Nanox.
De acordo com o pesquisador, o material bactericida que pretendem comercializar nos Estados Unidos é a mais recente aplicação de uma linha de antimicrobianos inorgânicos – batizada de “NanoxClean” –, que começaram a desenvolver em 2005.
Por meio de um projeto apoiado pelo Programa Pesquisa Inovativa em Pequena Empresa (PIPE), a empresa, que na época tinha o nome Science Solution, começou a produzir inicialmente partículas nanoestruturadas (em escala na bilionésima parte do metro) à base de prata, com propriedades bactericidas, antimicrobianas e autoesterilizantes.
O material foi aplicado na superfície de metais – em instrumentos médicos e odontológicos, como pinças, bisturis e brocas –, em secadores de cabelo, purificadores de água, tintas, resinas e cerâmicas.
A partir de 2007, passaram a estender a aplicação do produto para plásticos usados para embalar e conservar alimentos, com certificação obtida da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2012 para essa finalidade.
“A tecnologia que desenvolvemos para colocar prata em uma matriz cerâmica e, depois, adicionar esse material a um polímero, também resultou no depósito de algumas patentes no Brasil e nos Estados Unidos”, contou Simões.
Aumento da vida útil
Segundo Simões, as embalagens plásticas com os antimicrobianos inorgânicos desenvolvidos por eles aumentam o prazo de validade de alimentos acondicionados com o material. Dessa forma, o produto pode ser consumido por muito mais tempo.
“Um produto que durava seis meses, por exemplo, se armazenado em uma embalagem com o material bactericida, passa a durar de oito meses a um ano”, comparou.
O material, segundo Simões, pode ser aplicado em qualquer tipo de plástico de alimento – de sacos de supermercados a plásticos mais rígidos, como potes de margarina –, com um aumento de custo muito baixo em relação ao polímero convencional.
Para iniciar a comercialização do produto nos Estados Unidos, a Nanox realiza atualmente testes com cinco potenciais clientes – entre eles uma grande rede de supermercados e um fabricante de embalagens.
A empresa é a única fabricante do produto no Brasil. No mercado internacional, no entanto, enfrenta a concorrência de indústrias japonesas, que desenvolveram inicialmente a tecnologia, além de alemãs, que dominam a fabricação de produtos à base de prata.
A Nanox, contudo, desenvolveu uma tecnologia própria que utiliza entre 10 a 15 vezes menos prata do que seus concorrentes, ao mesmo tempo em que mantém a transparência do plástico – atributo considerado fundamental para o produto.
Ampliação de mercado
A Nanox pretende obter a certificação do produto nos Estados Unidos para outras aplicações, como, por exemplo, em saúde. O processo de registro de um produto na área de saúde junto ao FDA, no entanto, é mais demorado e complexo do que em aplicações em alimentos, exigindo a realização de estudos clínicos para garantir a segurança dos consumidores.
“Nossa previsão é de comercializar o produto para embalagens alimentícias no mercado norte-americano entre três e cinco anos e, depois disso, obtermos certificações para aplicação em cateteres e equipamentos de ultrassom, por exemplo”, disse Simões.
A Nanox já exporta para o México e a Itália e começou a ingressar no mercado chinês. De modo a conseguir manter seu plano de expansão e crescimento, por meio de um projeto PAPPE/PIPE fase 3, a empresa começou a aumentar nos últimos anos sua escala de produção.
A meta da empresa é aumentar dez vezes a escala de produção de partículas antimicrobianas nanoestruturadas, saltando dos atuais 10 quilos para 100 quilos por dia. “Estamos testando diversas metodologias para aumentar nossa escala de produção”, disse Simões. 

Fonte: Elton Alisson /Agência FAPESP 


domingo, 31 de março de 2013

Pesquisadores brasileiros fabricam Transistor 3D

Pesquisadores da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo – USP conseguiram projetar e fabricar o primeiro Transistor 3D do Brasil. Também conhecido como FinFET, esse tipo de transistor promete revolucionar a eletrônica e permitir a construção de dispositivos eletrônicos com superior poder de processamento, maior capacidade de memória, mais leves e compactos e com baixo consumo de energia. O projeto, que teve início em 2009, contou com o apoio da FAPESP, agência de fomento que financiou a pesquisa e parceria com cientistas da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP e do Centro universitário FEI.
O que é um Transistor?
Dispositivo semicondutor inventado nos laboratórios da Bell Telephone em 1947 por Brattain, Bardeen e Shockley com intuito principal de substituir as válvulas eletrônicas (válvulas termiônicas) em equipamentos como rádios e computadores. O advento dos transistores permitiu construir equipamentos com dimensões reduzidas, maior processamento e menor consumo de energia. O Transistor funciona como amplificador de corrente, de sinal ou simplesmente como chave eletrônica, o que lhe possibilita ser chaveado (ligado e desligado) milhões de vezes por segundo.
Os transistores São fabricados com uma pastilha cristalina de um material semicondutor como o silício (Si), dopado com impurezas do tipo P, que possuem menos elétrons livres na camada de valência e do tipo N, que por sua vez, possuem mais elétrons livres. Ao se adicionar impurezas, ligações covalentes serão criadas com o silício, que pela natureza desse tipo de ligação, deixará elétrons livres. A qualquer fornecimento de energia na base do transistor, os elétrons livres do tipo N se desprendem para ocupar a lacuna deixada pela impureza do tipo P e vice-versa, configurando assim na corrente elétrica que flui entre os terminais coletor e emissor. Este é o transistor bipolar de junção.
Transistor MOSFET
 Os transistores MOSFET ou de Efeito de Campo MOS (Metal Oxide Semiconductor) são derivados dos transistores bipolares de junção, no entanto, diferenciam destes, na estrutura. O MOSFET possui uma fina camada de óxido de metal que isola o substrato da região de comporta, ao invés da junção, presente nos transistores bipolares.
O transistor MOSFET pode ser utilizado nas mesmas aplicações que os bipolares de junção e apresentam o mesmo princípio de funcionamento, no entanto, apresentam algumas vantagens: Ao se aplicar uma tensão ao terminal, consegue-se controlar a corrente que flui entre o dreno e a fonte.
O transistor 3D – FinFET
 No último dia 12 de dezembro, no simpósio Fronteras de la Ciencia – Brasil y España em los 50 años de la FAPESP em Salamanca, o professor João Antônio Martino, coordenador de um grupo de pesquisadores da Escola Politécnica da USP anunciou que o grupo havia conseguido projetar e fabricar um protótipo do transistor FinFET ou transistor 3D (Tri-Gate). Segundo Martino, “Agora, o Brasil também domina essa tecnologia. No mês de novembro, conseguimos fabricar os primeiros FinFETs totalmente desenvolvidos no país”.
Para Ricardo Rangel, colaborador da pesquisa, “A tecnologia de fabricação de transistores 3D permite aumentar a densidade de transistores por chip. Isto melhora o desempenho de circuitos e permite uma nova geração de microprocessadores e memórias”.
A estrutura dos transistores tradicionais é disposta na horizontal, com portas que permitem a passagem da corrente elétrica apenas na parte superior. Já os FinFETs possuem uma arquitetura tridimensional, ou seja, são estruturados na  vertical. Para Martino, “Além de permitir colocar mais transistores na mesma área de silício, a disposição vertical possibilita colocar portas para a passagem de corrente elétrica nas duas laterais e na parte de cima. Isso mais do que dobra a capacidade de processamento”.
O Brasil não é o único país a se dedicar ao desenvolvimento desta tecnologia. Em 2012, a Intel lançou a linha de processadores Ivy Bridge, que compõe a terceira geração de processadores Intel Core e que se tornou o primeiro produto comercial a contar com transistores 3D em sua arquitetura e possuem nada menos que 1,4 Bilhão de transistores, estes com uma ordem de grandeza de 22nm (nanômetros). O protótipo brasileiro possui 50x100x1000 nanômetros de largura, altura e comprimento, respectivamente. Para analogia, um fio de cabelo possui aproximadamente 70.000nm de espessura, ou seja, um metro dividido por 1.000.000.000, ou 70 milésimos de milímetro. “Ainda é uma versão simplificada, com apenas três camadas. Os circuitos da Intel têm entre 15 e 20 camadas. Mas, a partir desse protótipo, podemos evoluir até onde for necessário”, disse Martino.
Segundo Rangel, “A indústria de semicondutores procura manter a famosa tendência de evolução proposta pela lei de Moore, que é a dobrar a quantidade de transistores em um Circuito Integrado a cada 24 meses. Para isto é necessário aumentar a capacidade e qualidade dos dispositivos ao mesmo tempo em que se reduz suas dimensões”.
Produção em Larga Escala
 O protótipo do FinFET ainda está restrito ao meio acadêmico e depende de parcerias com a indústria. Segundo Martino, o próximo passo é aperfeiçoar o modelo. ”Por enquanto, ele está com um perfil acadêmico. Fomos até onde era possível em nível de pesquisa. Agora, precisamos de parceria com a indústria para desenvolver um modelo de uso comercial”.
Uma ótima notícia é a de que recentemente foi anunciada uma parceria entre o empresário Eike Batista e a IBM para a construção da mais moderna fábrica de semicondutores do hemisfério Sul, a Six Semicondutores, que contará com financiamento do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES e investimento previsto para 1 Bilhão de reais e que deverá operar até 2014 na cidade mineira de Ribeirão das Neves.
A Six Semicondutores visa ingressar o País em um setor de alta tecnologia, com forte demanda nacional e internacional na fabricação de chips, com o desenvolvimento e produção de circuitos integrados customizados. Iniciativas como esta, poderiam representar uma parceria de sucesso, já que a Universidade provou a viabilidade que o País tem de desenvolver pesquisas desse tipo. Para Rangel, “A universidade fez o seu papel: provou o conceito, demonstrou que temos a capacidade e formou profissionais capazes, no entanto, um novo trabalho rumo à produção em larga escala a universidade não fará sozinha e nem é sua função. Mas, estamos abertos à parcerias”.
Fontes: Intel , Info , Ebah

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

IEA adota novas formas de organização de pesquisadores


A partir deste ano, o IEA contará com dois novos formatos de organização de pesquisadores para o desenvolvimento de projetos, o debate de ideias e a difusão científica, cultural e artística. Esses formatos serão os Grupos de Estudos e Laboratórios, que se somarão aos já existentes Grupos de Pesquisa e Cátedras.

Os Grupos de Estudo, mais flexíveis que os de pesquisa, acolherão projetos embrionários ou exploratórios de novas temáticas. De caráter interdisciplinar, esses grupos poderão ser compostos por professores (em todos os níveis de carreira, vinculados à USP ou não), alunos de graduação e pós-graduação e representantes de instituições não acadêmicas.

O tema a ser estudado, o período de funcionamento e os resultados esperados das atividades do Grupo deverão constar de proposta a ser apreciada pelo Conselho Deliberativo do IEA.

Já os Laboratórios, também de caráter interdisciplinar, serão voltados para a discussão de questões ligadas ao Projeto de Gestão 2012-2017 do Instituto. Essas formações atuarão como campo de experimentação e debate de propostas e terão lugar na Sala Verde — plataforma metalinguística que apresenta, sistematiza e discute ideias e conceitos que inspiram e subsidiam o projeto institucional do IEA.

Entre as temáticas sugeridas para a criação dos primeiros Laboratórios estão as de design, as relativas a estruturas e arquiteturas de informação de código aberto e aquelas vinculadas à organização e preservação digital dos acervos da memória institucional. Grande parte desse trabalho vai subsidiar a elaboração de uma nova identidade visual do Instituto e as políticas gráficas e editoriais do novo site.

Fonte: IEA